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Atendimento para as pessoas em situação de rua

Paris

Continente: 
Europa
País: 
França
População (Ano): 
2.200.000 hab.
Ano População: 
2009
Em 2008, o governo francês determinou que abrigos e acesso à moradia para pessoas sem domicilio ou em condições precárias de habitação fossem prioridades nacionais no quinquênio seguinte (2008 a 2012).

Descrição:

Na França e principalmente em Paris, as pessoas em situação de rua se originam predominantemente por ações de despejo e rupturas familiares. Os altos valores de aluguéis e toda a burocracia dificultam o retorno à moradia. Outra causa relevante do aumento da população de rua, é o intenso fluxo de imigração que a cidade recebe em busca de melhores condições de vida ou asilo político.

A partir de 2008 o governo francês determinou que abrigos e acesso a moradia para pessoas sem domicilio ou em condições de habitação precárias é prioridade nacional. Com esta meta, desenvolveram ações para a prevenção da ida de pessoas para as ruas.

A responsabilidade pela população sem moradia compete ao Estado, o qual financia ajudas sociais, de alojamento e de reinserção, ainda assim as ações previstas são reforçadas pela prefeitura da cidade de Paris. É importante ressaltar que associações têm importante ação junto das autoridades públicas.

Partindo dessa premissa, diversas ações para diminuir expulsões e condições precárias de habitação e consequentemente, diminuir o número de pessoas nestas condições foram implementadas. Entre as estratégias destacam-se a remodelação dos serviços públicos de disposição de abrigos e acesso a moradia, dando prioridade à moradia sem passagem obrigatória por abrigos, a prevenção da ida para as ruas (prevenir expulsões e condições precárias de habitação) e a criação do Serviço Integrado de Acolhimento e Orientação – SIAO, que recebe todas as demandas de moradia e orienta os sem domicílio fixo as soluções mais adaptadas a suas situações. 

Atualmente em Paris existem diferentes tipos de centros de acolhida:

- Abrigo de Urgência: acolhimento incondicional, sem seleção do público acolhido ou regularidade da estadia; média de 3 mil lugares em 2010. Esse tipo de abrigo tem a função de fornecer para todos os sem-teto uma casa, uma cama, uma refeição, instalações sanitárias, e consulta médica e com um assistente social para definição da instalação mais adequada para cada caso. Os centros de acolhimento de emergência (CHU) desenvolvem relações com creches, instituições de saúde, serviços de emergência psiquiátrica, alojamentos nos diferentes departamentos e estruturas de apoio social.


- Abrigo de reinserção social: aberto 24h por dia, o abrigo é voltado para o público alvo do estabelecimento (famílias, mulheres vítimas de violência, etc.) e agrega acompanhamento social com intuito de promover a autonomia da pessoa acolhida, média de 4100 pessoas em 2010. A pensão de família é uma proposta de moradia adequada que permite que as pessoas em situações precárias, mas com um grau suficiente de autonomia, encontrem uma casa, criem novos laços sociais e assim, possam reconstruir sua história e possivelmente traçar o caminho para a habitação autônoma. 

- Leitos para cuidados coma a saúde: médicos para pessoas sem moradia que precisam de cuidados sem necessidade de hospitalização, média de 200 lugares em 2010.

- Centro de acolhida a solicitantes de asilo: abrigo e orientação social e administrativa aos solicitantes de asilo, média de 400 lugares em 2010.

- Centros de acolhida a mulheres grávidas e mães sozinhas, cerca de 600 lugares em 2010 e abrigo de urgência destinado a mães isoladas e seus filhos. Em 2013 as mulheres foram responsáveis por 9% das solicitações por alojamento, entre elas, estão frequentemente vítimas de violência.

- Abrigo diurno: são 47 estruturas em Paris que promovem espaço de convivência aos moradores de rua. Oferecem alimentação, vestuário, cuidados com a saúde e a higiene, além de acompanhamento social para facilitar a reinserção. 

Nos períodos de maior frio são disponibilizados abrigos de urgência alocados temporariamente em estações de metrô, ginásios, etc. 

Além dos diferentes tipos de abrigo e centros de acolhida, existem equipes móveis de ajuda que vão ao encontro de pessoas nas ruas a fim de direcioná-las aos abrigos, hospitais ou instituições adaptadas. Oferecem produtos de higiene, alimentos e água. Essa parte da população também recebe apoio para a Integração à vida social através de ações socioculturais durante a noite, acesso a espaços culturais e esportivos parisienses direcionados para esse público. 

Em janeiro de 2014 teve início o serviço do ônibus para crianças e pais (BEEP) do Samu Social. A equipe composta por médico psicossocial, assistentes sociais e enfermeiros, percorre as cidades de Paris e seus arredores e fica de dois a quatro dias próximo aos albergues e alojamentos.  O ônibus tem uma biblioteca e o objetivo é oferecer um local aconchegante para estabelecer diagnósticos de saúde e situação social e avaliar as necessidades, para então, encaminhar para as estruturas adequadas para os tratamentos necessários.

A política de inserção caminha paralelamente ao auxílio de urgência e visa proporcionar uma moradia e um emprego à pessoa sem domicílio. Para isso são necessários dispositivos de amparo legal. Neste sentido entende-se que a moradia social é tida como a mais adaptada a pessoas sem domicílio fixo. A partir de 2010 esse tipo de moradia passou a ser destinado inclusive a moradores de rua que não passaram necessariamente por uma estadia em algum abrigo, como era o caso anteriormente.

Objetivo:

- Promover políticas públicas de inserção social, disponibilizando os serviços necessários para os diferentes casos de pessoas sem domicílio fixo. 

- Proporcionar acesso a moradia.

Metodologia:

Em 1993 foi criado o SAMU Social Paris cuja missão é desenvolver ações profissionais direcionadas as pessoas sem domicílio fixo.

Com atendimento 24hs durante todos os dias do ano conta com estabelecimento físico, equipes móveis nas ruas, acompanhamento das pessoas em seus locais de vida, abrigos de emergência com ou sem cuidados médicos, orientação após cuidados emergenciais para reinserção.  
 
As equipes do SAMU Social são constituídas por profissionais do ramo médico/social que orientam o cidadão sem domicilio fixo aos dispositivos parisienses de ajuda social mais adaptados a cada caso.

Em 2010 o SIAO de Paris foi confiado ao Samu Social parisiense. O SIAO tem como funções: regular a totalidade de ofertas e demandas de abrigos de urgência, coordenar as equipes móveis de ajuda, para melhor articular suas atividades no território e coordenar os diferentes abrigos diurnos.

Resultados:

- Ajuda alimentar: destinada a população sem domicílio fixo e famílias carentes. No ano de 2010, na região de Paris, foram destinados 6 milhões euros ao serviço e foram servidos 3 milhões de  refeições.

- Higiene e acesso à água: serviço de duchas municipais e fontes de água potável.

- Na região de Île de France existe um SIAO de urgência para cada departamento.

- Em janeiro de 2014 teve início o serviço do ônibus para crianças e pais (BEEP) do Samu Social. 

- Canal telefônico, 24hs por dia, para atendimento individualizado com orientações específicas caso a caso.

- As equipes móveis foram criadas no ano 2000 e atualmente existem de 5 a 9 equipes móveis circulando ao dia.     

-15 espaços solidários que visam a inserção distribuídos na cidade de Paris 

- Para atender as necessidades de tratamento do público alvo, o Samusocial de Paris estabeleceu uma farmácia interna que serve todas as suas estruturas. Ele permite que cerca de 2.200 pessoas sem seguro de saúde possa ser tratado, com um estoque de 300 produtos médicos e de higiene obtidos gratuitamente da Farmácia Internacional Humanitária (IHP) e 80 produtos (tais como dispositivos médicos e produtos de diagnóstico) adquiridos através de uma central de compras a preços favoráveis. A Farmácia Samusocial de Paris tem o estatuto de PUI (Usage Farmácia Indoor) desde 2011

- A fim de melhorar os seus métodos de intervenção e de apoio para as pessoas na rua,o Samusocial criou o Observatório de Paris que consiste em identificar e analisar os problemas das pessoas em situação de extrema pobreza. O Observatório de Paris Samusocial realiza estudos e pesquisas, e analisa dados de diferentes serviços para gerar indicadores de atividade, aumentar o conhecimento sobre os modos comuns e compatíveis, e cumprir o seu papel de controle social e aviso às autoridades.

Instituições Envolvidas:

SAMU Social de Paris

Prefeitura de Paris

Contatos:

Stéphane Delaunay
Diretora de Comunicação do SAMU Social
Telefone : 01.82.01.24.86 ou 01.82.01.24.85
E-mail: [email protected]

Fontes:

SAMU Social de Paris

Prefeitura de Paris

Serviço Integral de Acolhimento e Orientação - SIAO

 

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última modificação: sex, 13/03/2015 - 17:57

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