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Cidade investe na produção de energia limpa e vende excedente no mercado

Wildpoldsried

Continente: 
Europa
País: 
Alemanha
População (Ano): 
2.554 hab.
Ano População: 
2015
Área Total (Ano): 
21,35 km²
Ano Área Total: 
2015
Desde 1999, a cidade de Wildpoldsried, na Alemanha, aplica recursos públicos e privados na geração e comercialização de energias renováveis. Atualmente, sua produção de energia é cerca de 4 vezes maior que o consumo, permitindo a venda do excedente.

Descrição:

Na década de 1990, a pequena cidade de Wildpoldsried, no sul da Alemanha, optou por inovar sua atuação econômica, diversificando suas atividades produtivas. Com cerca de 2.600 habitantes, a maioria trabalhando na pecuária e em serviços urbanos, o município passou a investir no setor de energia renovável. 

Atualmente a cidade possui um amplo sistema local de produção e distribuição de energia elétrica, que garante não apenas o atendimento ao consumo local, mas ainda permite a venda do excedente.

Após diversos investimentos privados e públicos, a cidade desenvolveu uma planta produtiva que possui três grandes matrizes energéticas renováveis: energia eólica, biogás e fotovoltaica.

A cidade consome mensalmente cerca de 650.000 kWh e produz próximo de 2.500.000 kWh, sendo o excedente vendido por meio de uma rede inteligente de distribuição de energia. Em 2016, tais vendas resultaram em cerca de €$ 6 milhões.

Para alguns produtores locais, o título de fazendeiro tem sido completado com a expressão “fazendeiro de energia”, pois 80% de sua renda chega a ser originada na produção e venda de energia elétrica.

Além dos investimentos em geração de energia renovável, diversas ações para melhorar a eficiência energética foram implantadas, principalmente no setor de construção civil e no sistema de aquecimento predial urbano, além de outras medidas no setor de conservação de recursos hídricos.

Com isso, a cidade se tornou referência mundial, tendo ganho diversos prêmios nacionais e internacionais. Anualmente, o município recebe centenas de visitantes leigos, técnicos, pesquisadores, gestores públicos e investidores interessados em conhecer sua planta produtiva de energias renováveis.

Objetivos:

- Desenvolver a economia local, gerando renda e emprego;
- Tornar-se energeticamente autossustentável, por meio da produção de energias provenientes de fontes renováveis.

Cronograma e Metodologia:

1991: o governo central alemão cria a lei para Fontes de Energias Renováveis (EEG), que permite a venda de energia de fontes solares, eólicas e hidrelétrica das operadoras locais para a rede de distribuição.

1994: em parceria com uma empresa local, a prefeitura de Wildpoldsried implanta um projeto piloto de sistema de tratamento natural de águas residuais.

1997: a prefeitura inicia um debate com a população local para definir suas metas para o futuro. Optou-se por construir um novo centro esportivo municipal, um teatro, um pub e uma casa de retiro. Entretanto, os custos desses equipamentos poderiam exigir décadas de investimentos.

1997: é implantada a primeira usina privada de biogás.

1999: a câmara de vereadores elabora uma declaração de missão chamada Liderança Inovadora de Wildpoldsried, WIR-2020, com diretrizes de como atender as demandas da população local e promover o desenvolvimento da cidade até o ano de 2020. O WIR-2020 possui três eixos principais: Economia de energia e uso de energia renovável; Uso de materiais sustentáveis para a construção de edifícios sustentáveis; Proteção de água e recursos hídricos e eliminação de águas residuais.

1999: moradores montam uma sociedade local de produtores e criam a empresa EW Wind Energy GmbH Hutoi, com o objetivo de construir duas torres eólicas com capacidade total de produção de 3,5 MWh. Cerca de 20% do investimento foi financiado pelo governo estadual da Bavária.

2000: uma segunda usina privada de biogás é implantada na cidade.

2000: aprovação de nova legislação alemã para energias renováveis (EEG), que permite a participação de cidadãos e pequenos empreendedores no mercado de energia elétrica.

2000: a prefeitura implanta, com recursos provenientes da Comunidade Europeia, um sistema local piloto para controle de alagamentos, denominado WiWaLaMoor. O projeto inclui um processo natural de tratamento de águas residuais, uma lagoa para recreação e um pomar.

2001: em junho, a sociedade local de produtores, agora composta por 94 investidores, cria uma segunda empresa denominada EW Wind Energy GmbH & Co.KG Haarberg, com o objetivo de construir mais duas torres eólicas para gerar 4,5 MWh.

2002: tem início a campanha municipal para implantação de sistemas residenciais de geração de energia elétrica com painéis solares fotovoltaicos. Logo no primeiro ano, 224 m² de painéis solares fotovoltaicos são implantados. Diversos prédios públicos municipais também recebem painéis solares.

2004: a prefeitura realiza campanha para que as pessoas instalem painéis solares em suas residências, por meio de um financiamento vinculado à garantia do contrato junto às empresas de energia compradoras do excedente.

2005: com a intenção de substituir todo o sistema de aquecimento baseado em combustível fóssil, a prefeitura implanta uma unidade produtora de calor baseada em pellets de biomassa. A matéria prima principal são os resíduos de madeira descartados pelas madeireiras da região, além do biogás. O projeto foi financiado pelo governo alemão e pela Comunidade Europeia.

2006: com o sistema WiWaLaMoor (projeto piloto para controle de alagamentos) plenamente estabelecido, a prefeitura aprova sua implantação em larga escala. As autoridades públicas estaduais e regionais fornecem apoio técnico para análise do solo, por meio de um sistema de monitoramento desenvolvido em parceria com a prefeitura.

2008: a sociedade local de produtores instala uma quinta torre eólica, com capacidade de geração de 4 MWh.

2011: a sociedade local de produtores capta recursos para criar uma terceira empresa, que tem por objetivo implantar mais duas torres eólicas com potencial de geração de 4,6MWh. Com a participação de apenas investidores locais, o projeto proporciona uma taxa média de retorno de 9% ao ano.

2011: nova versão da legislação alemã para energias renováveis (EEG) obriga a empresa distribuidora a pagar ao cidadão €$ 0,12 para cada KWh consumido de seus próprios painéis solares. Com essa medida, os moradores com painéis solares, além de economizar €$ 0,26 por KWh, referente ao preço de venda pela distribuidora, ainda recebem €$ 0,12 totalizando, então, cerca de €$ 0,38. Para os que usam mais de 30% de sua energia proveniente dos painéis solares, o preço a ser pago pela distribuidora foi de €$ 0,16.

2011: a cidade adota padrões construtivos para novas edificações, que devem considerar medidas de eficiência energética que são estimuladas por descontos tributários, se atenderem aos critérios especificados.

2011 a 2013: a cidade estabelece uma parceria com a Universidade de Kempten e a RWTH Aachen, criando o consórcio IRENE (Integração de Energia Renovável e Veículos Elétricos). O consórcio realiza pesquisa aplicada sobre uma rede inteligente de distribuição de energia elétrica, 37 carros elétricos e iluminação pública com LED. O projeto inclui também a implantação de um centro educacional destinado à realização de seminários e introdução do “turismo eco-energético” na cidade.

2014: iniciado o consórcio IREN2, ampliação do IRENE, envolvendo a prefeitura, a Universidade de Kempten, a RWTH Aachen, Siemens AG e IDKOM Networks GmbH.

2016: é implantada na cidade a unidade de biogás da Cooperativa de Geração de Energia Eufnach, uma iniciativa local com apoio da prefeitura.

2016: em setembro é lançado o portal do consórcio IREN2 (http://iren2.ifht.rwth-aachen.de/), que apresenta, em tempo real, os dados de geração de energia no município.

Resultados:

- Atualmente, a cidade produz cerca de 3,5 vezes mais energia do que consome, sendo 25% de biogás, 30% de energia solar fotovoltaica e 45% eólica. O excedente é comercializado por meio da rede de distribuição elétrica;

- Por ano, cerca de 250 m³ de húmus é retirado do sistema de tratamento de afluentes WiWaLaMoor para uso como fertilizante;

- O sistema de tratamento de efluentes atende os cerca de 2.600 moradores da cidade e sua área de implantação contém duas lagoas, um pomar com cerca de 100 árvores frutíferas e o parque natural das áreas úmidas aberto à visitação;

- A cidade possui uma central de coleta de restos de podas para compostagem, que foi implantada após o fechamento do aterro sanitário local;

- Sob orientação da prefeitura, os moradores de casas com quintal passam a produzir composto com os resíduos orgânicos residenciais. Demais residências têm os resíduos coletados e levados ao incinerador regional;

- Lei municipal garante financiamento para instalação de painéis solares fotovoltaicos. O preço de venda da energia gerada pelos moradores tem garantia de compra pela empresa regional até o ano de 2024;

- Mais de 190 edifícios residenciais e cerca de 40 edifícios públicos municipais e privados possuem painéis solares para geração de energia elétrica. Nos prédios públicos, foram instalados painéis com capacidade de cerca de 440 KWp;

- A cidade possui 11 torres para geração de energia eólica, que produzem 28.968.000 KWh de eletricidade, enquanto o consumo municipal era de 6.294.000 KWh em 2014;

- Apenas em 2016, com o uso de energia eólica, a cidade deixou de emitir proporcionalmente cerca de 28.000 toneladas de CO2; 

- Atualmente, existem quatro plantas geradoras de biogás. Três delas são privadas e administradas por fazendeiros locais. Uma pertence à Cooperativa de Geração de Energia Eufnach. Elas produzem energia elétrica a partir do biogás. A planta da cooperativa também abastece o sistema de aquecimento local, para 20 residências, e o distrito comercial Parque de Inovação de Allgäu;

- O sistema de aquecimento local da prefeitura possui pouco mais de 3 km de extensão e fornece calor para cerca de 300 residências, além de diversos prédios públicos e quatro empresas privadas. Atualmente, o sistema conta com uma caldeira de biomassa, três centrais de biogás e, em situações extremas, é ativado o sistema a óleo combustível;

- Diversos projetos privados têm se desenvolvido na cidade por iniciativa dos moradores e com apoio da prefeitura. Entre esses projetos estão uma das principais fabricas de sistemas de acumulação e gestão de energia local, duas usinas hidrelétricas, duas unidades geotérmicas para aquecimento de água, diversas unidades de biogás e peletização e quatro geradores de calor;

- A prefeitura montou o hotel e o centro de educação ambiental Kultiviert que, além de receber visitantes interessados em conhecer a cidade e seus projetos, também cumpre a função de centro de formação e difusão de conhecimentos em sustentabilidade urbana;

- Desde 1999, a cidade já recebeu 14 prêmios nacionais e internacionais por suas iniciativas bem-sucedidas na área de geração de energia renovável e preservação ambiental, incluindo o prestigiado European Energy Award Gold, da Comunidade Europeia.

Instituições Envolvidas:

Prefeitura de Wildpoldsried
Governo Estadual da Baviera
Comunidade Europeia
Cooperativa de Geração de Energia Eufnach
Produtores locais associados
Consórcios IRENE e IREN2

Contatos:

Prefeitura (Escritório de Coordenação de Energia & Proteção Climática):
Sra. Susi Vogl: [email protected]
Sobre o projeto IREN2:
[email protected] ou Sr. Michael Metzger ([email protected])

Fontes:
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última modificação: sex, 17/11/2017 - 18:05