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Recuperação do Centro Histórico de Quito

Quito

Continente: 
América do Sul
País: 
Equador
O Programa de Recuperação do Centro Histórico de Quito, além de preservar e reabilitar o patrimônio histórico da cidade, focou na revitalização e formalização das atividades comerciais e de serviços. Dessa forma, promoveu o uso adequado e a manutenção de edifícios públicos e privados. O programa visou ainda melhorar e controlar a qualidade do ar na região.

Descrição:

Com aproximadamente cinco mil prédios, o Centro Histórico de Quito foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 1978.  Com o crescimento constante da cidade, a preservação do local não tem sido uma tarefa fácil.

Com o intuito de preservar esse patrimônio, em 1988 iniciaram-se os estudos para a elaboração de um Plano de Recuperação do Centro Histórico. Esse processo que foi construído ao longo de anos teve seu ápice em 2003, quando a Prefeitura Municipal de Quito, dando continuidade ao processo extremamente democrático, participativo e pacífico de conversa com os comerciantes informais que ocupavam o Centro Histórico, finalmente realocou-os para os centros comerciais construídos pelo município.

Os comerciantes informais, que ocupavam as praças e as ruas do Centro Histórico desde a década de 1950, foram identificados no ano de 2003, em cerca de sete mil. Resolver esse problema foi o primeiro passo para que a revitalização do centro histórico pudesse ocorrer.

Os comerciantes foram realocados para novos centros comerciais construídos pelo município com o propósito de formalizar esse comércio e, dessa forma, proporcionar melhores condições para os comerciantes e, ao mesmo tempo, revitalizar e requalificar o centro.

Para que essa mudança desse certo e acontecesse de forma qualificada, o governo criou o Centro de Defesa dos Pequenos Comerciantes para que a interlocução entre governo e cidadãos ocorresse de forma clara e objetiva. Para ressaltar a credibilidade do processo, ocorreram encontros para sorteio dos novos pontos comerciais bem como para a entrega das chaves.

O auge desse processo ocorreu em apenas duas semanas. Numa parceria entre os comerciantes e os funcionários municipais, as ruas do Centro Histórico começaram a ser esvaziadas e limpas. Com a retirada das fiações elétricas irregulares, das placas e madeiras provenientes do comércio irregular, as belas construções arquitetônicas voltaram a aparecer.

A partir desse momento, a arquitetura histórica foi redescoberta e as obras de restauro tiveram início. O centro ficou muito mais acolhedor e seguro, com espaço nas calçadas para os pedestres e diminuição da delinquência. 

Com as ruas reasfaltadas e com as paredes retocadas, iniciou-se um processo sem retorno. Atividades culturais começaram a fazer parte da vida do centro, ao mesmo tempo em que os comerciantes passaram a ter condições mais dignas e seguras.

Além da recuperação dos espaços públicos e dos monumentos, ocorreram créditos habitacionais para a recuperação das moradias nessa área e também crédito para a melhoria da infraestrutura urbana e da mobilidade. 

Todo o processo de requalificação aconteceu com consultas à população, a fim de conhecer suas necessidades e expectativas, além de abrir um diálogo com empresas e organizações da sociedade civil e mobilizá-las como parceiros no projeto.

Foi criada uma empresa de capital misto para desenvolver o centro histórico. Essa empresa fez alianças com investidores e organizações da sociedade civil, desde construtoras e incorporadores imobiliários a grupos sociais e religiosos.

Com tudo isso, a recuperação do Centro Histórico de Quito pode ser denominada completa. Ou seja, ocorreu uma requalificação humana e patrimonial.

Objetivos:

- Parar a deterioração dos edifícios históricos e encorajar a conservação;

- Realocar aproximadamente 7.000 comerciantes informais no perímetro do Centro Histórico de Quito para Centros Comerciais Populares;

- Modernizar e organizar o comércio informal, através da adoção de um mecanismo que favorece a solução do problema social dos comerciantes e respeite os seus direitos;

- Resolver o problema do congestionamento de pedestres e veículos no Centro Histórico de Quito;

- Atenuar o impacto do visual, poluição ambiental e sonora;

 Cronograma e Metodologia:

- 1988-1992: iniciam-se os estudos sobre o comércio informal e os estudos do Plano Diretor para o Centro Histórico de Quito;

- 1996: primeiro estudo sobre o comércio informal no Centro Histórico
- 1998-1999: elaboração do plano de modernização e ordenamento do comércio popular. A elaboração e execução do plano foram realizadas em parceria com os habitantes do Centro Histórico, com consultas públicas, além de abrir um diálogo com empresas e organizações da sociedade civil e mobilizá-las como parceiros no projeto;

- 1999-2003: primeira etapa de elaboração de convênios e acordos para a realocação dos comerciantes. Criação de uma empresa de capital misto para gerir o processo de revitalização. Essa empresa fez alianças com investidores e organizações da sociedade civil, desde construtoras e incorporadores imobiliários a grupos sociais e religiosos;

- 2003: realocação dos comerciantes informais de maneira pacifica e organizada. Início da restauração de edifícios e monumentos; 

Resultados:

- Realocação de aproximadamente 7.000 comerciantes informais;

- Diminuição da criminalidade;

- Revitalização da economia através da valorização turística e cultural;

- Construção ou reforma de 11 centros comerciais para alocar os comerciantes;

- Construção de habitações social;

- Recuperação dos valores culturais e históricos da região, bem como dos seus espaços públicos;

- Implementação do Plano Integrado de Reorganização do Trânsito e Transporte, o que favoreceu a melhora na mobilidade tanto de veículos como de pedestres nessa área; 

- Recuperação e consequente reativação de vários edifícios e instituições (teatros, restaurantes, museus, centros culturais, escritórios, hotéis, etc.); 

- Centro histórico com uma paisagem agradável, o que favoreceu o repovoamento e impulsionou a vida cultural e artística;

Instituições Envolvidas:

Prefeitura Municipal de Quito

Apoio:  BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento

Fontes:

BID

Projeto BID

El Comercio

Vídeo

Recuperação do espaço público

Recuperación del centro histórico de Quito en dos semanas

 

 

 

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última modificação: seg, 01/06/2015 - 17:51

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