Início > Noticias > Evento debate a relação das cidades com o meio ambiente

Evento debate a relação das cidades com o meio ambiente

Painel realizado durante o Connected Smart Cities abordou os desafios da administração pública no enfrentamento das principais questões ambientais

Realizado em São Paulo nos últimos dias 21 e 22 de junho, o Connected Smart Cities reuniu gestores públicos, especialistas da academia, representantes do setor privado e da sociedade civil para discutir questões que influenciam o dia a dia da administração municipal e as possibilidades de uso da tecnologia na construção de cidades mais eficientes. 

Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis, participou de painel que abordou a relação das cidades com o meio ambiente e os impactos de políticas públicas setoriais na saúde e na qualidade de vida da população. A mesa contou também com a presença de Mário de Lacerda Werneck Neto, secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Sérgio Myssior, arquiteto e urbanista, e Alberto Teixeira da Silva, sociólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Sérgio Myssior abriu o debate apontando os desafios municipais no enfrentamento de temas como saneamento básico, geração de resíduos, emissões de gases poluentes e gestão da água.

Ele lembrou que 53% das emissões em Belo Horizonte são originadas no transporte público, uma vez que o diesel ainda aparece como principal fonte de combustível dos ônibus locais. 

“O tecido urbano reflete a nossa falta de estratégia. O transporte coletivo não é competitivo, por isso não atrai mais passageiros”, comentou ele. “Mesmo assim, continuamos concentrando os maiores e melhores investimentos nos lugares que já têm os maiores e melhores investimentos”, finalizou o arquiteto e urbanista. 

O secretário Mário de Lacerda apresentou dados e números da capital mineira, com foco nas ações da gestão local na área ambiental. 

Já o sociólogo Alberto Teixeira da Silva alertou para o protagonismo dos municípios na proteção do meio ambiente: “As cidades ocupam apenas 2% da superfície da Terra, mas consomem 78% da energia e emitem 60% do dióxido de carbono no planeta”, apontou. “Isso significa que adotamos um modelo danoso de desenvolvimento urbano, com impacto direto na saúde e na qualidade de vida das pessoas”, concluiu o sociólogo da UFPA.

Jorge Abrahão seguiu a mesma linha e enfatizou as questões políticas que envolvem os problemas ambientais nos centros urbanos. “As cidades precisam avançar mais em processos de gestão e pensar no longo prazo, no que elas querem ser daqui a 20 anos. Mas, para isso, precisamos defender o interesse público, e não subordiná-lo ao interesse privado", disse o coordenador-geral do Programa Cidades Sustentáveis.

Ele citou como exemplo alguns fatos recentes ocorridos na cidade de São Paulo. "Em 2009, foi aprovada uma lei na capital paulista para renovar a frota de ônibus municipais, mas até hoje – quase dez anos depois – apenas 1% foi renovado. Agora um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Vereadores quer prorrogar o prazo de renovação por mais 20 anos. Aí fica a pergunta: Por que não avançamos nesta questão mesmo tendo leis para isso? A quem está servindo essa prorrogação?", questionou Abrahão.