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Moradores do Jd. Helian participam da primeira oficina para a seleção dos indicadores ambientais da região

O encontro deu início à parte prática do projeto realizado pelo Programa Cidades Sustentáveis, Unifesp e Nações Unidas para o Meio Ambiente.

A sede da Associação Jd. Helian, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo, ficou pequena para receber os mais de 50 moradores do bairro que participaram de uma reunião na noite da última quinta-feira (3) a convite do Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e do Instituto das Cidades, da Unifesp. A proposta do encontro foi dar início ao trabalho que está sendo financiado pela UNEP/Paris (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), o pioneiro projeto "Implementando a abordagem de vizinhança em São Paulo".

A parceria prevê o desenvolvimento de um plano físico e financeiro detalhado para que o Jardim Helian, como experiência piloto, se torne um bairro sustentável. O ponto de partida foi a oficina de indicadores realizada na semana passada. Estiveram presentes professores da Unifesp e a equipe do Programa Cidades Sustentáveis. O objetivo foi apresentar a seleção de indicadores ambientais sistematizada pelos técnicos envolvidos no projeto e, principalmente, ouvir os moradores, entender as demandas. “A partir do que estamos recebendo neste encontro vamos trabalhar no formulário para a coleta de campo – que, aliás, será realizada pelos próprios moradores da região”, explicou Clara Meyer, coordenadora de indicadores do PCS.

O professor Tiago Martins, da Unifesp, informou aos moradores que o inventário da área e a elaboração das propostas para um possível financiamento serão feitos sempre com a validação da comunidade. A professora Jaqueline Bória, da Unifesp, completou que o foco será nas questões relacionadas à mobilidade, água e resíduos. Ela também destacou o caráter pioneiro da iniciativa e da importância da experiência para a própria ONU.

Mohamed Fernando Pereira, vice-presidente da associação, reforçou aos participantes da oficina que é fundamental “olharmos o bairro como um todo, não apenas o que está na porta da casa de cada um”. Segundo ele, a comunidade já vem percebendo a importância dos indicadores na vida local, do planejamento: “As pessoas estão muito interessadas em participar de um processo de planejamento tão consistente e que conta com parceiros tão estratégicos quanto esse”.

Após discutirem sobre os indicadores, os moradores apresentaram suas principais queixas e reforçaram o interesse em participar do processo de planejamento. O descarte irregular de resíduos no córrego que corta o bairro foi, de longe, a principal demanda levantada pela comunidade na reunião.

Sobre o projeto

O projeto "Implementando a abordagem de vizinhança em São Paulo" entrará agora na fase de realização de pesquisa de campo com a população para entender a ideia de uma "vizinhança sustentável" e suas aspirações. Na sequência, haverá a etapa de planejamento e validação de um projeto de desenvolvimento do bairro de forma coletiva, envolvendo as lideranças, os especialistas da ONU e os pesquisadores. Por fim, será detalhdo o orçamento e as possibilidades de financiamento junto a diferentes fontes, incluindo setor privado e doadores externos.

Com o objetivo de replicar a metodologia, o projeto também prevê a criação de materiais de apoio para que outras comunidades se apropriem e criem seus próprios planejamentos. Haverá um guia passo a passo que permitirá a replicação da coleta de dados em nível distrital e a subsequente abordagem de vizinhança em outras partes do Brasil e em todo o mundo. As atividades do projeto começaram em abril e têm previsão de término em setembro deste ano.