Início > Noticias > NCS: Ellen Gracie e Martha Rocha defendem segurança como política de Estado

NCS: Ellen Gracie e Martha Rocha defendem segurança como política de Estado

Nesta quarta-feira (5), segundo dia do New Cities Summit, em São Paulo, a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie Northfleet e a chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Martha Rocha, defenderam a importância de a segurança pública ser tratada como política de Estado, visando a resultados a longo prazo, e não como política de governo, servindo de degrau para uma próxima campanha eleitoral.

“As conquistas que o Rio vem conseguindo partem da premissa de que não há espaço para amadorismo na segurança pública”, disse a chefe da polícia, ressaltando o trabalho realizado no Estado depois que Sérgio Cabral assumiu o governo. “No dia seguinte ao jogo da Seleção (de futebol) no Maracanã, como chefe de polícia, quando li a resenha que dizia que os únicos problemas do dia anterior tinham sido a fila do banheiro e o preço do cachorro quente, me desculpem, mas fiquei muito feliz. Acho que estamos no caminho certo”, comemorou.

Por conta de oportunismo político, Ellen Gracie afirmou que a polícia brasileira ficou relegada a segundo plano durante muitos anos. O que acaba comprometendo o trabalho da Justiça. “Depois se culpa a Justiça porque não promove as condenações. Mas o que pode fazer o Poder Judiciário se a investigação não foi bem feita, a prova não está formada, a não ser absolver alguém que talvez merecesse uma condenação?”, questionou.
 
“Enquanto o crime está muito bem organizado, com acesso a ligações internacionais, com equipamento de alta potência, as delegacias estão em péssimas condições. Temos uma  polícia inteiramente defasada, sem condições de reagir e proceder as investigações”, criticou a ex-ministra, referindo-se a instituições policiais espalhadas pelo Brasil que ainda continuam não recebendo a atenção adequada.

Opinião compartilhada pela delegada Martha Rocha: “Sou da tese de que não é a Justiça que solta, é a polícia que não deu elementos para a prisão”. E complementou: “Somente em meados de 2000 tivemos a primeira delegacia informatizada do estado do Rio”.

A chefe da Polícia Civil comemorou, entre as conquistas obtidas em seu Estado, a Cidade da Polícia, que será instalada em setembro na cidade do Rio de Janeiro. “Vão ser abertas 17 delegacias especializadas, com setor de coleta de dados, o que vai facilitar a inteligência para que as investigações tenham sucesso”, comentou.

Espaços públicos como redutores da criminalidade

A ex-ministra também disse apostar na retomada de espaços urbanos, a exemplo do que, segundo ela, está sendo feito no Rio, para a construção de uma sociedade menos violenta. “É uma experiência importantíssima, inclusiva de populações que estavam desprovidas de segurança, de saúde, justiça, assistência social, de todo o serviço que o poder público tem obrigação de oferecer”, observou.

Ela cita como exemplo os espaços sob os viadutos se tornando áreas produtivas, sendo oferecidos à comunidade. “É a apropriação de certas áreas que não percebemos mais como sendo aproveitáveis. Na maior parte das nossas cidades, esses espaços servem apenas como dormitório de mendigos, são becos sujos, inteiramente renegados. Essa é uma das possibilidades de retomada de espaço público”, sugeriu.

Outra palestrante da plenária sobre segurança urbana, a paulistana Paula Miraglia, ex-diretora geral do Centro Internacional pela Prevenção do Crime, recomendou a “reconquista” dos espaços públicos como forma de reduzir a violência. “São Paulo vive o medo e a gente alimenta o medo. A gente pensa que a solução é se proteger, deixar de viver, e a gente precisa querer a cidade, reconquistar os espaços públicos. O investimento em espaços públicos distribuídos pela cidade toda é fundamental”, enfatizou.

“O Brasil vem apostando numa fórmula da segurança privada que são as ‘bolhas’ de segurança, acessíveis apenas em espaços determinados das cidades. São Paulo conseguiu criar bolhas de segurança, mas, numa cidade, ou estamos todos seguros ou ninguém estará”, comentou. “As cidades que passaram pela redução da violência viveram processos de desejar, de querer essa cidade, de querer ocupar os espaços”. A argumentação foi complementada pela ex-ministra, que, assim como Paula, classificou o investimento em segurança privada como um tipo de segurança ilusória.

New Cities Summit

A Cúpula das Novas Cidades começou ontem, terça-feira, e vai até amanhã, reunindo mais de 800 convidados e palestrantes de 20 países. O evento é organizado pela New Cities Foundation, parceira do Programa Cidades Sustentáveis e da Rede Latino-americana por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis. Mais informações no site http://www.newcitiessummit2013.org.

 

 

Matérias relacionadas: 

NCS: construção das cidades deve primar pela redução da desigualdade social

Cidades não estão preparadas para desastres naturais, dizem especialistas no NCS