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ONU inicia assembleia ambiental em Nairóbi com foco no combate à poluição

Degradação do meio ambiente e poluição estão associadas a um número cada vez maior de problemas de saúde, segundo a ONU Meio Ambiente. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Por ONU Brasil

Mais de 2 mil chefes de Estado, ministros, líderes empresariais, oficiais da ONU e representantes da sociedade civil reúnem-se a partir desta segunda-feira (4) na terceira Assembleia da ONU para o Meio Ambiente em Nairóbi, no Quênia, para enfrentar a ameaça mundial da poluição.

A assembleia ocorre até quarta-feira (6) na sede da ONU Meio Ambiente em Nairóbi. Como órgão máximo de tomada de decisões ambientais, a assembleia reúne governos, empresários, ativistas e outros para compartilhar ideias e se comprometer com ações.

“Nosso objetivo coletivo deve ser um planeta livre de poluição”, disse o ministro do Meio Ambiente e de Energia da Costa Rica e presidente da Assembleia de 2017, Edgar Gutiérrez. “Apenas através de uma ação coletiva mais forte, começando em Nairóbi esta semana, poderemos limpar o planeta e salvar inúmeras vidas”.

Todos os habitantes da Terra são afetados pela poluição, segundo novo relatório da ONU Meio Ambiente “Para um planeta sem poluição“, que serve de base para que a assembleia defina os problemas e estabeleça novas rotas de ação.

As políticas sugeridas no relatório se baseiam em uma análise de todas as formas de poluição, incluindo do ar, da terra, da água doce, marinha, provocada por produtos químicos e rejeitos. Em geral, a degradação ambiental causa a destruição generalizada de ecossistemas-chave e quase uma em cada quatro mortes em todo o mundo, ou seja, 12,6 milhões de mortes ao ano.

Mais de uma dezena de resoluções estão sobre a mesa na assembleia, incluindo novos enfoques para abordar a poluição do ar, que está por trás da maior quantidade de mortes por razões ambientais: 6,5 milhões a cada ano. Atualmente, mais de 80% das cidades não cumprem os padrões de saúde da ONU sobre qualidade do ar.

A exposição ao chumbo em materiais de pintura, que causa dano cerebral a 600 mil crianças anualmente, e a contaminação da água e do solo, também são áreas-chave de enfoque. Nosso mares já contêm 500 “zonas mortas” com muito pouco oxigênio para manter a vida marinha. Mais de 80% das águas residuais do mundo são liberadas ao meio ambiente sem tratamento, envenenando os campos onde cultivamos nossos alimentos, assim como os lagos e rios que proporcionam água potável a 300 milhões de pessoas.

Também existe um grande custo econômico. Um recente relatório da Comissão Lancet sobre Poluição e Saúde indica que as perdas de bem-estar provocadas pela poluição são estimadas em mais de 4,6 bilhões de dólares a cada ano, o que equivale a 6,2% da produção econômica mundial.

“Dadas as desalentadoras estatísticas sobre como estamos nos envenenando e envenenando nosso planeta, as decisões audazes da Assembleia da ONU para o Meio Ambiente são fundamentais”, disse o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim.

A declaração política do diretor-executivo destaca os vínculos entre eventos nos últimos 12 meses — furacões no Caribe e nos Estados Unidos, secas no Chifre da África e no Iêmen, inundações em Bangladesh, Índia e Europa — e as decisões que tomamos sobre ecossistemas, energia, recursos naturais, expansão urbana, infraestrutura, produção, consumo e gestão de resíduos.

Fica claro que todos os processos globais complexos vinculados ao meio ambiente, como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris, se reduzem a uma mensagem simples: devemos cuidar das pessoas e do planeta.

Solheim também aponta muitas soluções para o problema da poluição e outras preocupações ambientais, como desvincular o crescimento econômico do uso dos recursos naturais.

Por exemplo, a declaração indica que as soluções viáveis técnica e comercialmente podem melhorar a eficiência da água e da energia entre 60% e 80% nos setores de construção, agricultura, transporte e outras áreas-chave, enquanto são economizados entre 2,9 bilhões e 3,7 bilhões de dólares por ano até 2030. Com mais de 60% da infraestrutura urbana prevista para 2050 ainda por construir, as oportunidades para dar forma a um futuro melhor “são simplesmente assombrosas”.

“Centrar-se na qualidade do crescimento é chave para melhorar a qualidade de vida”, disse Lígia Noronha, diretora da Divisão de Economia da ONU Meio Ambiente. “Isso requer uma cultura que apoie a produção responsável e não faça do consumo desenfreado uma aspiração na vida. Precisamos investir de forma diferente para transformar nossas economias e também atrair o setor privado para apoiar o crescimento limpo”.

A assembleia também conta com a participação de celebridades ativistas, como a nova embaixadora da boa vontade da ONU Meio Ambiente, Ellie Goulding; anúncios relacionados com campanhas #RespiraAVida e #MaresLimpos, sobre poluição atmosférica e marinha, respectivamente, e o lançamento de novas pesquisas — desde relatórios sobre fontes ambientais de resistência antimicrobiana a documentos sobre o estado do meio ambiente no Sudão do Sul.

Materia publicada no portal ONU Brasil