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Os 6 pilares essenciais para uma cidade inteligente de médio porte

A mobilidade urbana foi o destaque na quinta-feira, 8 de maio, durante às palestras da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2014). O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), Universidade Positivo e Prefeitura Municipal de Curitiba, reuniu palestrantes dos Estados Unidos, Itália e Áustria.

O professor da Universidade Tecnológica de Viena Rudolf Giffinger afirmou que as cidades têm de combinar crescimento econômico, urbanização e redução de emissões poluentes. O austríaco faz parte do projeto European Smart Cities, que estuda as perspectivas de desenvolvimento de cidades de médio porte, levando em conta economia, cultura e condições ambientais e sociais.

Giffinger afirmou que existem seis pilares essenciais de uma Smart City de médio porte.

  • 1) A ECONOMIA INTELIGENTE: promovendo a competitividade econômica por meio da integração de inovação e empreendedorismo;
  • 2) PESSOAS INTELIGENTES: isto é, a qualificação dos recursos humanos e das interações sociais;
  • 3) GOVERNOS INTELIGENTES: fomentando serviços aos cidadãos e ao funcionamento da administração pública;
  • 4) MOBILIDADE INTELIGENTE: visando a acessibilidade e redes de tecnologia de informação;
  • 5) AMBIENTE INTELIGENTE: por meio da atratividade de condições naturais, proteção ambiental e gestão de recursos;
  • 6) MODO DE VIDA INTELIGENTE: traduzido por qualidade de vida, englobando cultura, saúde, segurança e habitação.

A norte-americana Stephanie Gardner trouxe um novo olhar para as cidades, apontando iniciativas que repercutem na qualidade de vida da população e, sobretudo, na sustentabilidade. Entre as ideias apresentadas, está o aumento da área verde, o que influencia diretamente a qualidade do ar, a temperatura e a poluição sonora.

Fazer localmente

"O grande desafio é introduzir e aumentar o número de plantas, tornando-as cidades biofílicas, conciliando a vida urbana à preservação da natureza", explicou. Um dos exemplos listados por Stephanie é de Singapura, que, desde a década de 1960, tornou a cidade mais verde, com o propósito de ser mais atrativa para investimentos.

Na mesma linha, o arquiteto e ecologista italiano Roberto Ervas também disse que hoje é preciso fazer localmente, porém pensando globalmente. Ele afirmou que as práticas implementadas em uma cidade devem levar em conta o bem de toda a população mundial. "É preciso pensar em uma educação voltada para o meio ambiente sustentável, focando em mobilidade e promovendo a infraestrutura inteligente", ressaltou.

 

 

O executivo responsável pelo programa de Mobilidade Urbana da Volvo Bus Latin America, Ayrton Amaral, destacou a busca por alternativas ao uso do petróleo, uma energia que, segundo ele, será extinta em 2080, caso continue a ser consumida no ritmo atual. "O Bus Rapid Transit (BRT) é uma boa solução. No futuro, uma solução seria o implementação de biarticulados híbridos."

Amaral disse que a Volvo já tem veículos híbridos, que, de acordo com ele, reduzem em 35% o uso de diesel e emissão de CO2. "Cada ônibus desse tipo reduz, por mês, em uma tonelada as emissões de CO2 em Curitiba", afirmou. Ele acrescentou, ainda, que o nível de ruído é zero na partida do ônibus e durante as paradas, pois, nessas ocasiões, o veículo desliga o motor a diesel. "Transporte mais qualificado é qualidade de vida."

Fórum iCities

Em paralelo à CICI2014, acontece o Fórum iCities, que aprofunda as discussões trazidas nas palestras. O tema abordado foi "Tecnologia para Cidades", mediado pelo doutor em Design e Arquitetura Caio Vassão, idealizador do protótipo "Cidade Distribuída", que propõe uma nova estruturação para as cidades, baseada na integração de serviços.

Entre os assuntos discutidos pela mesa composta por André Marim (empreendedor e COO da startup Fleety de mobilidade compartilhada), Luisiana Paganelli Silva (assessora de Relações Externas do IPPUC) e Dilney Emilio Bilbao, diretor de Desenvolvimento de Negócios da SmartGreen, destacam-se a gestão de combustíveis e a otimização do consumo de bens.

Consumo colaborativo

O principal destaque foi o debate a respeito dos sistemas de "Consumo Colaborativo", que propõem estabelecer um padrão de utilização compartilhada, principalmente de veículos automotivos. Segundo André Marim, é fundamental estabelecer ações entre a sociedade e o Poder Público: "É necessário que haja uma colateralidade entre a população e o governo, de modo a implementar uma nova cultura de consumo", ressalta.

Outras soluções propostas dizem respeito às políticas de modernização do transporte público. Para Luisiana Paganelli Silva, do Ippuc, quanto melhor o sistema de transporte público, mais atrativo ele se torna: "O investimento nos transportes coletivos devem ser realizados de modo a tornar os veículos particulares a última opção para as pessoas", defende.

Matéria originalmente publicada no portal EcoDesenvolvimento