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Centro Comunitário da Paz transforma periferia do Recife

Recife

Continente: 
América do Sul
País: 
Brasil
Estado - Província: 
PE
População (Ano): 
1.500.000 hab.
Ano População: 
2012
Área Total (Ano): 
218,00 km²
Ano Área Total: 
2012
Recife aprende que o oposto de violência é convivência
Com o conceito de UPP social, o Centro Comunitário da Paz transformou a experiência de uso da cidade para os moradores de Recife. Baseado na experiência colombiana das Bibliotecas Parques e outras fontes de espaços de cidadania, o Compaz possui duas unidades que oferecem serviços e atividades diversas para todas as idades, sob a ideia de difundir a Cultura de Paz, garantir inclusão social e o fortalecimento comunitário. Conhecidos como "Fábricas de Cidadania", os equipamentos se destacam pela estrutura que oferecem, tendo mais de 30 mil usuários cadastrados na cidade.

Descrição:

O oposto de violência é convivência. É desta forma que Jorge Melguizo começa a contar sobre o projeto de sucesso realizado na Colômbia nas últimas décadas na área de em segurança pública. Ex-secretário de Cultura e Planejamento de Medellín, segunda maior cidade da Colômbia e uma das mais perigosas do mundo nos anos 90, participou ativamente do planejamento e investimento massivo em políticas públicas que fizeram da cidade referência mundial no enfrentamento à violência.

Ao longo de 30 anos a cidade viu esses índices caíram em 95%, especialmente a partir da experiência de bibliotecas-parque instaladas nos bairros mais vulneráveis ao narcotráfico e suas consequências. O conceito por trás é de que para se reduzir a violência não bastam armas, mas é fundamental melhorar as condições de vida nas áreas mais afetadas. Investiu-se na construção de centros de cultura, educação e lazer, que se transformaram em verdadeiros epicentros de criação e mudança dentro das comunidades.

Agora a lição colombiana de enfrentamento integral à violência chega ao Recife. Com o conceito de cultura cidadã, o Centro Comunitário da Paz – Compaz foi inspirado em experiência e outros espaços de cidadania semelhantes. Conhecidos como "Fábricas de Cidadania", os equipamentos se destacam pela estrutura, serviços e atendimentos que oferecem, entre atividades esportivas, espaços de lazer e claro, as bibliotecas. Nos aparelhos a população conta ainda com serviços públicos diversos da Prefeitura, como Procon, Mediação conflito, Cras e outros.

Antes de iniciar o projeto, o Secretário de Segurança Pública de Recife visitou a experiência colombiana mais de 30 vezes. Em um dos estados com uma das piores taxas de homicídio no país, Murilo Cavalcanti percebeu que não bastariam políticas de segurança isoladas para reverter a situação. E se as taxas de urbanização não param de crescer no Brasil, podendo chegar a mais de 90% da população até 2030, os desafios urbanos ganham centralidade para o entendimento do mundo.

O início do projeto se deu junto a população, que recebeu 1,5 mil questionários com perguntas sobre suas necessidades e vontades prioritárias para o bairro. Em seguidas foram realizadas uma série de 12 reuniões com a população, que participou ativamente da escolha das aulas, cursos e serviços ofertados hoje no Compaz. Junto à estrutura de lazer foram realizadas medidas urbanas no transito da região e no ordenamento dos espaços de comercio, além da inauguração de uma UPA nos arredores do bairro e um calçadão para ampliar o acesso das pessoas. Ou seja, é um projeto que funciona como ponto disseminador de um urbanismo mais cidadão.

A primeira unidade foi inaugurada em março de 2016, no bairro do Alto Santa Terezinha, Zona Norte da cidade. O Compaz Governador Eduardo Campos oferece mais de 30 atendimentos e atividades esportivas, com destaque para o Dojô (espaço de artes marciais) que oferece Jiu jitsu, Judô, Taekwondo, Aikido, Luta Olímpica, Submission e Capoeira. Mais de 800 jovens praticam as modalidades nos 225 m² do Dojô, um terreno onde até 2013 funcionava um ponto de venda de drogas.

Em março de 2017, a segunda unidade foi entregue à população no bairro do Cordeiro: o Compaz Escritor Ariano Suassuna. O equipamento oferece espaços para resolver pendências de documentação, tomar orientações sobre direito do consumidor, mediação de conflitos e informações sobre assistência social. Entre os destaques da unidade da zona oeste está o Ateliê Compaz, cujo foco é capacitar os participantes para geração de renda. As duas quadras de tênis e a rampa de skate também estão disponíveis no espaço.

Em ambas as unidades, as bibliotecas são o carro-chefe. A Biblioteca Afrânio Godoy (850m²) e a Jornalista Carlos Percol (500m²) trabalham uma nova dinâmica de conhecimento e cidadania para a cidade. A ideia é aproximar os jovens que perderam interesse por esses espaços com atividades lúdicas nas comunidades nas quais pertencem. As duas bibliotecas possuem computadores com acesso à internet, wifi, salas de estudo e espaço infantil, com dois artes educadores em cada.

Entre as atividades, contação de histórias, apresentações teatrais, musicais (com duas orquestras), circenses e literárias; rodas de diálogos com temáticas de combate às drogas, racismo, homofobia, violência contra mulheres. Confecção e lançamento de livros, cine debates, atividades manuais, com música e brincadeiras populares, além de colônia de férias nos meses de recesso escolar. A ideia é integrar todas as faixas etárias, fazendo do atendimento à primeira infância um objetivo central para construir um círculo virtuoso na comunidade.

Os dois Centros Comunitários pela Paz também têm em comum o sucesso da piscina. Crianças, jovens e idosos aproveitam as aulas de natação ou hidroginástica para aprenderem a nadar ou se exercitar. Para participar das atividades e cursos dos Compaz é preciso realizar cadastro gratuito, bastando levar RG ou certidão de nascimento e comprovante de residência até uma das unidades. As duas unidades possuem hoje 30 mil usuários cadastrados, além de permitir o acesso livre à população.

Estabelecida em uma comunidade da periferia, o Compaz se coloca como um novo elemento de presença do poder público onde havia apenas a escola e a presença policial, hoje parceiras do projeto. A estratégia de levar a presença da Prefeitura aos bairros da periferia já trouxe os primeiros resultados. Enquanto a cidade do Recife viu sua taxa de homicídios crescer 20% ao longo de 2018, nos cinco bairros do entorno do Compaz Ariano Suassuna (Cordeiro, Torrões, Bongi, San Martin e Prado), a violência caiu em uma taxa de 21%.

Em 2018 o Governo Federal entra na parceria pela primeira vez e com um aporte de R$20 milhões garante a construção de mais 3 aparelhos Compaz pela cidade, que serão nos bairros Pina, Várzea e Ibura. Em 2019 será retomada a obra de outro aparelho em construção e a previsão é de que, até 2020, Recife tenha sete unidades Compaz.

Objetivo:

Combater a violência na cidade do Recife com ações de inclusão social e o fortalecimento comunitário, valorizando a ideia de Cultura de Paz. Trazer a presença do Estado para quem mais precisa, desenvolvendo uma identidade cidadã.

Cronograma e Metodologia:

2013: início do projeto, com consulta à comunidade e reuniões locais. A coordenação da Secretaria de Segurança Pública se colocou como responsável pela articulação de 10 secretarias municipais

2016: em março é inaugurada a primeira unidade do projeto, no bairro Alto Santa Terezinha

2017: em março é inaugurada a segunda unidade do projeto, no bairro Cordeiro. Frente à explosão de homicídio no Brasil, a cidade do recife teve aumento de 20% no número de homicídios, enquanto o entorno do Compaz Eduardo teve redução de 21% na mesma taxa.

2018: Prefeitura recebe R$20 milhões do Governo Federal para a construção de mais 3 novos aparelhos do COMPAZ.

2019: está prevista para o mês de março a inauguração do terceiro COMPAZ, no bairro da Madalena. Até 2020 Recife deverá ter 7 espaços em funcionamento.

Resultados:

Em um período de explosão nas taxas de homicídio no Brasil, a cidade do Recife aumento de 20% no número de homicídios, mas no entorno do Compaz Eduardo Campos houve redução de 21%. Além disso, a escola do bairro atingiu a maior nota IDEB em sua história, destacando o papel do Compaz como incremento na educação. Os dois aparelhos do Compaz possuem mais 30 mil usuários cadastrados na cidade.

Instituições envolvidas:

Prefeitura do Recife; Secretaria de Governo, Secretaria Municipal de Segurança Pública; Secretaria de Assistência Social, Polícia Militar, Grupo Fiat, Grupo Parvi, Fundação Bernard van Lee.

Contato:

Secretaria de Segurança Pública do Recife

Secretário Murilo Cavalcanti

http://www.recife.pe.gov.br

(81) 3355.8342

[email protected]

Fontes:

http://www2.recife.pe.gov.br/servico/compaz

http://dados.recife.pe.gov.br/

Imprensa:

https://cultura.estadao.com.br/blogs/julio-maria/no-recife-compaz-derruba-a-violencia-com-um-bombardeio-de-cultura/

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2018/03/29/interna_vidaurbana,746807/violencia-recuou-em-cinco-bairros-beneficiados-pelo-compaz-do-cordeiro.shtml

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última modificação: ter, 18/12/2018 - 18:41