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Acessibilidade em ruas e calçadas é péssima para maioria dos paulistanos

Estações de trem e metrô são melhor avaliadas na pesquisa “A cidade e as pessoas com deficiência”, divulgada pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência

Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo

Resultados da pesquisa “A cidade e as pessoas com deficiência” revelam que a acessibilidade das ruas e calçadas de São Paulo é considerada péssima por 57% dos paulistanos. Outros 32% a classificam como regular e apenas 8% a consideram ótima ou boa. 

Divulgado nesta terça-feira (4/12) pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em evento público realizado em parceria com o Sesc São Paulo, o levantamento aponta que as estações de trens e metrô são os locais mais bem avaliados no quesito: 39% dos pesquisados afirmam que a acessibilidade nesses espaços é ótima ou boa, 36% dizem que é regular e 22% assinalam ruim ou péssima.

O estudo mostra que 15% da população paulistana possui alguma deficiência, mora ou convive com alguém nessa condição. Por outro lado, 84% não se inclui em nenhuma das três alternativas. 

Ser uma pessoa com deficiência ou ter alguém próximo que faça parte do segmento, segundo a pesquisa, faz toda a diferença na percepção que ela tem sobre o tema. 

Enquanto entre os paulistanos em geral, 63% percebem sempre ou às vezes pessoas com deficiência utilizando transporte público na cidade, no grupo dos que possuem, conhecem ou convivem com pessoas nessa condição o índice sobe para 77%. 

Outro dado do levantamento mostra que hospitais e postos de saúde são os locais que mais propiciam ao paulistano algum contato com pessoas com deficiência: 33% da população cita esses equipamentos como sendo onde mais vê e convive com pessoas com algum tipo de deficiência. 

Shoppings, com 16%, local onde mora,13%, e praças e parques, 10%, são outros espaços onde isso também ocorre com mais frequência. 

Questionados sobre qual medida poderia melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência na cidade de São Paulo, 25% dos entrevistados assinalaram a alternativa “adaptar calçadas, semáforos, paradas, pontos e terminais de ônibus”. 

Na sequência, aparecem: “criar escolas especiais que possam acolher crianças e adolescentes com todos os tipos de deficiência”, alternativa que recebeu 13% de repostas; “destinar ônibus e vagões de trens e Metrô adaptados para fazer o transporte exclusivo de pessoas com deficiência”, “ampliar o programa Atende+, especializado no transporte de pessoas com deficiência” e “aumentar o atendimento especializado para pessoas com deficiência na rede pública municipal de saúde”, com 11% cada. 

Porém, entre quem possui, conhece ou convive com pessoas com deficiência, a alternativa “adaptar calçadas, semáforos, paradas, pontos e terminais de ônibus” é assinalada por apenas 14%. Para esse público, a melhora da qualidade de vida passa por um conjunto de medidas, razão pela qual os percentuais de respostas se distribuem de forma menos desigual entre as oito alternativas apresentadas no questionário. 

Por fim, o estudo revela que são nos ambientes públicos (transporte e espaços de convivência, como ruas, shoppings, parques e praças) que os paulistanos mais sofrem ou presenciam situações de preconceito contra pessoas com deficiência. Na amostra total da pesquisa, 29% disseram perceber essas situações no transporte públicos e 28% nos espaços públicos de convivência. 

Quando se analisa apenas as respostas dos entrevistados que possuem, conhecem ou convivem com pessoas desse segmento, os dois índices sobem muito. Cerca de 58% deles afirmam ter sofrido ou presenciado situações de preconceito no transporte público e 63% dizem a mesma coisa em relação aos espaços públicos de convivência. 

Confira aqui a apresentação da pesquisa “A cidade e as pessoas com deficiência”.

Veja também a pesquisa completa

Foram realizadas 800 entrevistas com moradores de São Paulo de 16 anos ou mais (região urbana). O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais da amostra.

Debate e intervenção cultural

Os dados do levantamento foram apresentados em evento público realizado no Sesc 24 de Maio, no centro de São Paulo. A atividade, que visou celebrar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ocorrido um dia antes (3/12), contou com uma apresentação cultural e um debate sobre o tema com as participações de:    

- Cid Torquato, secretário da Secretaria da Pessoa com Deficiência;
- Luciana Trindade, cadeirante ativista por Direitos da Pessoa com Deficiência;
- Liliane Garcez, gerente de programas do Instituto Rodrigo Mendes e integrante do Fórum Permanente de Educação Inclusiva;
- Paullo Vieira, assessor parlamentar;
- Jairo Marques, jornalista da Folha de S. Paulo. 

Série “Viver em São Paulo”

A pesquisa “A cidade e as pessoas com deficiência” integra a série “Viver em São Paulo”, que foi iniciada este ano e mensalmente tem divulgado dados sobre a percepção dos paulistanos em relação a temas importantes que afetam a vida na capital paulista.

Os levantamentos da série e os eventos mensais, que incluem divulgação dos resultados, debates e intervenções culturais sobre cada tema pesquisado, são promovidos pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo. 

Leia também: Acessibilidade não é algo que se restrinja às pessoas com deficiência 

 

Confira a repercussão na mídia:

Acessibilidade em São Paulo é tema de debate público no Sesc (DCI)

Transporte público é onde pessoas com deficiência mais sofrem preconceito em SP, diz pesquisa (G1)

Um terço dos paulistanos não percebe pessoas com deficiência (R7)

Pessoas com Deficiência em SP: O Preconceito vem de Transporte Público (CONTRAPONTO SOCIAL)

Pesquisa mostra que só 8% dos paulistanos classifica ruas e calçadas como acessíveis (METRO JORNAL)

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Metrô é considerado o transporte mais acessível da Capital (METRÔ NEWS)

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