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Acessibilidade não é algo que se restrinja às pessoas com deficiência

Esse foi um dos consensos do debate sobre os dados da pesquisa “A cidade e as pessoas com deficiência”, que contou com a participação de especialistas no tema

Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo

Participantes do debate sobre os resultados da pesquisa “A Cidade e as pessoas com deficiência” deixaram claro que a acessibilidade de calçadas, ruas e edificações é algo positivo para toda a sociedade e não apenas para quem faz parte do segmento. 

Os resultados da pesquisa revelaram, entre outras coisas, que a acessibilidade das ruas e calçadas de São Paulo é considerada péssima por 57% dos paulistanos.

“Acessibilidade não é algo que se restrinja às pessoas com deficiência”, sintetizou Cid Torquato, secretário municipal da Pessoa com Deficiência, um dos participantes do evento promovido pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo.

Torquato destacou a importância que a calçada tem na vida da população em geral, não apenas das pessoas com deficiência. Ele definiu os muitos problemas nessa área como uma “grande calamidade da cidade”, que a atual gestão da Prefeitura vem enfrentando. 

Ele lembrou que ontem (3/12) foi o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, reconhecendo que, embora tenha ocorrido avanços, ainda há muito que se caminhar para que os direitos do segmento sejam inteiramente respeitados e garantidos. “Temos um passivo muito grande, principalmente numa cidade como São Paulo, que é muito complexa”, ponderou.

Realizado nesta terça-feira (4/12) no Sesc 24 de Maio, o debate foi precedido pela apresentação dos resultados da pesquisa “A Cidade e as pessoas com deficiência”, feita por Marcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência.

Confira aqui a apresentação da pesquisa

Veja também a pesquisa completa

Diversos especialistas e militantes da causa das pessoas com deficiência participaram do evento. 

Jairo Marques, jornalista da Folha de S. Paulo, relatou ter sido convidado para fazer uma avaliação da Estação AACD do Metrô que, segundo funcionários da empresa, seria a mais acessível da rede. Como cadeirante, ele constatou diversos problemas, entre os quais: a bilheteria não é visível para o cadeirante; pessoa nessa condição não entra pelo mesmo local que os demais usuários do Metrô, tem que passar pela “portinha”; para acessar o banheiro é preciso subir uma rampa; e a tampa das latas de lixo são acionadas pelo pé, o que é inviável para cadeirantes. 

Porém, o que mais o incomodou foi a explicação do funcionário para o fato de ter de entrar na estação pela “portinha” destinada aos cadeirantes. “Vocês entram por aqui, porque não pagam passagem”, teria dito a pessoa. Posteriormente, ele constatou que existe uma lei que permite à pessoa com deficiência utilizar o Metrô com um bilhete especial gratuito, independentemente de sua renda. No entanto, Marques não precisa e nem quer esse benefício.   

“O que eu quero dizer, com essa história, é que precisamos ser vistos como cidadãos plenos”, enfatizou o jornalista, cujo objetivo, segundo ele mesmo, é indignar às pessoas com o relato dos problemas enfrentados pelo segmento. 

Outra cadeirante, Luciana Trindade, do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, trouxe ao evento um conjunto de dados sobre as solicitações feitas pela população, pelo sistema 156 da Prefeitura, para a garantia da acessibilidade.

“Entre 2016 e 2018, 48.068 solicitações foram feitas à administração municipal, sendo que o maior número de denúncias se referem a calçadas”, relatou. 

Ela questionou a informação divulgada pela Prefeitura, de que 93% da frota de ônibus da cidade seria acessível. “Como isso é possível, se eu tenho 90 solicitações de inclusão de veículo adaptado na linha”, indagou. 

De acordo com Luciana, existe linha de ônibus com apenas um veículo adaptado. “Para pegá-lo, o tempo de espera é de cinco horas aproximadamente”, denunciou. 

Liliane Garcez, gerente de projetos do Instituto Rodrigo Mendes, por sua vez, deixou claro que as pessoas com deficiência não querem estudar em escolas especiais, segregadas dos demais estudantes. 

Na opinião dela, o Brasil está falhando na educação. “Não, para as pessoas com deficiência e, sim, com todo mundo”, criticou.  

Os problemas enfrentados pelas pessoas surdas ou com dificuldade auditiva foram abordados por Paullo Vieira, assessor parlamentar da deputada e senadora eleita, Mara Gabrilli. 

Segundo ele, esse grupo ficou em primeiro lugar no número de boletins de ocorrência (B.O.) registrados, entre junho de 2014 e junho de 2018, na 1ª Delegacia da Polícia da Pessoa com Deficiência. Na sequência estão os registros feitos por pessoas com deficiência física, intelectual, visual e múltipla. 

“Gostaria que [a Delegacia] tivesse atendimento 24 horas, mas não tem”, reclamou. 

Mediado pelo coordenador de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio, o evento contou com a participação especial de integrantes do Slam do Corpo, que fez uma intervenção cultural sobre o tema.    

Um dos momentos emocionantes da atividade foi a apresentação do vídeo “O que é normal?”, do Sesc São Paulo. 

Leia também: Acessibilidade em ruas e calçadas é péssima para maioria dos paulistanos 
 

Confira a repercussão na mídia:

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