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Como as grandes cidades lidam com a gentrificação?

Jorge Abrahão, coordenador do PCS, e Renato Cymbalista, professor de arquitetura, explicam desafio de requalificar bairros sem expulsar moradores de baixa renda 

Gentrificação é a transformação dos centros urbanos marcada pela mudança no perfil imobiliário, cultural e social dos grupos ocupantes. Fenômeno decorrente da revitalização urbana, atribui novos usos e sentidos a espaços até então abandonados ou degradados, que passam a ser vistos com potencial por determinados grupos sociais e econômicos. Essa valorização traz aumento do custo de vida no bairro, tendo muitas vezes como consequência o afastamento de seus moradores originais.

Como as cidades estão lidando com essa questão? Esse é o tema da entrevista de Jorge Abrahão, coordenador-geral do Programa Cidades Sustentáveis (PCS), e Renato Cymbalista, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU – USP), à Rádio CBN.

Ambos explicam como São Paulo, Quito (capital do Equador) e outros municípios têm enfrentado esse desafio, de requalificar bairros respeitando sua arquitetura original e sem expulsar os moradores de baixa renda da região.   

Outras informações sobre o tema 

De acordo com ONU, desde 2008 mais da metade da população mundial passou a viver em áreas urbanizadas e, de forma geral, esse adensamento é mais evidente em países emergentes. No Brasil, esse índice já alcançou 85%.

Em condições de crescimento pouco ou nada planejados de áreas urbanas, é comum que a ocupação coincida com a manutenção de desigualdades sociais históricas, gerando ainda mais conflitos decorrentes da ocupação do território. 

A gentrificação é mais um aspecto complexo desse processo.

O termo gentrificação surgiu na década de 1960, em Londres, e advém da expressão inglesa gentry, que representa as pessoas ricas ligadas à nobreza. O termo, cunhado pela socióloga Ruth Glass, surgiu de suas observações das dinâmicas populacionais na capital inglesa. Naquela época, pessoas de classes mais abastadas passaram a migrar para bairros que antes eram predominantemente habitados pela classe trabalhadora mais pobre.

O processo fez com que os custos de se viver nesses locais aumentassem consideravelmente. Logo, com o incremento dos preços de moradias e do custo de vida, essa população acabou indiretamente sendo expulsa dessas regiões. A mudança, além disso, trouxe consigo uma série de transformações na própria estrutura desses bairros, que perderam seu caráter anterior.

Se por um lado os processos de gentrificação se relacionam com a conservação e revitalização de áreas pouco valorizadas, uma visão crítica deve levar em consideração as consequências da especulação imobiliária e inflação nos preços de imóveis e serviços. Possíveis consequências são a descaracterização dos bairros e perda de identidade local, além do afastamento das comunidades de baixa renda. 

Institucionalmente é papel dos governos municipais construir e executar um Plano Diretor com parâmetros cuidadosos de crescimento e desenvolvimento da cidade, políticas de uso e ocupação do solo que protejam o espaço e seus moradores desse tipo de externalidade. 

Foto: Wikipedia

Confira aqui a entrevista de Jorge Abrahão e Renato Cymbalista no espaço Cidades Sustentáveis, da Rádio CBN.