Início > Noticias > Crianças e adolescentes da periferia precisam de equipamentos e espaços públicos

Crianças e adolescentes da periferia precisam de equipamentos e espaços públicos

Constatação ocorreu durante debate sobre resultados da pesquisa “A Criança e a Cidade”, que foram divulgados pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc.

Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo

“Nós sabemos fazer muitas coisas, mas não há oportunidade para mostrar”, lamentou a MC Soffia, ao defender que o poder público invista mais nas regiões periféricas da cidade de São Paulo. “É preciso ter coisas culturais, como saraus”, exemplificou a rapper e compositora, de 14 anos, durante o debate sobre os resultados da pesquisa “A Criança e a Cidade”, realizado nesta terça-feira (9/10) no Sesc Consolação

MC Soffia destacou que é preciso dar voz às crianças e aos adolescentes. “Nós temos muito o que falar”, garantiu ela, que revelou publicamente um desejo: “quero ser presidente do Brasil”.

Promovido pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo, o debate ocorreu logo após a apresentação da pesquisa revelar que São Paulo é pouco acolhedora para crianças e adolescentes

Os dados do levantamento foram apresentados pela diretora de políticas públicas do Ibope Inteligência, Patrícia Pavanelli. 

Confira aqui a apresentação da pesquisa “A Criança e a Cidade”

Veja também os resultados completos do levantamento

Marisa Villi, diretora executiva da Rede Conhecimento Social e integrante do
GT (Grupo de Trabalho) Criança e Adolescente da Rede Nossa São Paulo, também defendeu a necessidade de se instalar mais equipamentos e espaços públicos para crianças e adolescentes na periferia. 

“As melhores avaliações dos equipamentos públicos foram feitas na região central, onde tem o menor número de crianças e adolescentes”, argumentou Marisa, ao avaliar os resultados da pesquisa. “É necessário pensar em uma melhor distribuição desses equipamentos pela cidade”, complementou. 

Plano Municipal pela Primeira Infância 

Facilitador do debate, o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, agradeceu ao secretário adjunto de Governo da Prefeitura de São Paulo, Alexis Vargas, por participar do evento, destacando que o representante da administração abriu um espaço de diálogo com a sociedade na elaboração do Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI). “Isso foi muito importante”, reconheceu Abrahão.

Continuando a dirigir-se ao secretário adjunto, o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo citou o Mapa das Desigualdade, para reforçar que a maioria das crianças e adolescentes da cidade estão nas regiões mais carentes.  

Ele propôs que a Prefeitura combata as enormes desigualdades existentes na capital paulista. “Um dos caminhos que ajudaria nesse objetivo é ter um orçamento regionalizado”, avaliou, antes de complementar: “Assim, seria possível investir mais nas regiões onde têm mais problemas de infraestrutura”.

Em resposta às palavras de Abrahão, o secretário adjunto de Governo antecipou que Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) deverá ser lançado no dia 31 deste mês. “A Rede Nossa São Paulo [por meio do GT Criança e Adolescente] tem sido uma grande parceira nesse processo”, registrou ele. 

Leia: GT entrega propostas para elaboração do Plano Municipal da Primeira Infância

Antes, porém, segundo Vargas, a minuta do plano será submetida à consulta pública, que terá início nos próximos dias. 

Ele relatou que no processo de elaboração do texto foram realizados 14 eventos regionais (seminários) para ouvir a sociedade. 

Leia: Prefeitura promove oficina de conteúdo para Plano Municipal da Primeira Infância

Em relação à pesquisa “A Criança e a Cidade”, o secretário adjunto afirmou que os resultados servirão também de insumo para confecção do plano. “Para nós, da Prefeitura, é bom ter este ‘input’ e estamos preparando resposta para esses dados.” 

Vargas destacou que o Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) deverá conter metas, antecipando uma delas: “Em março deste ano, a fila de crianças a espera de vagas em creches era de aproximadamente 57 mil, a menor da história, e a ideia é zerar o déficit até 2025”.

O representante da administração municipal explicou ainda que o combate às desigualdades é uma das diretrizes do plano. “Vamos priorizar os distritos com os piores indicadores e focar as ações nessas regiões.” 

E, por último, informou que a ideia da regionalização do orçamento também está sendo incorporada ao plano. Vargas ressalvou, entretanto, que há problemas para executar isso em alguns equipamentos. “Vamos tentar fazer isso por aproximação”, argumentou ele, lembrando que o orçamento não revela tudo o que está sendo feito. Segundo ele, é possível aumentar o atendimento em um ambiente de restrição orçamentária.

Intervenção cultural e participação do público 

Além de ser uma das palestrantes do debate, a rapper MC Soffia apresentou algumas de suas composições em parceria com a DJ Soffia – ambas usam o mesmo nome. 

Na segunda parte do debate, os participantes puderam apresentar questionamentos e opiniões. 

Série “Viver em São Paulo”

A pesquisa “A Criança e a Cidade” integra a série “Viver em São Paulo”, que foi iniciada este ano e mensalmente tem divulgado dados sobre a percepção dos paulistanos em relação a temas importantes que afetam a vida na capital paulista.

Os levantamentos da série e os eventos mensais, que incluem divulgação dos resultados, debates e intervenções culturais sobre cada tema pesquisado, são promovidos pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo. 

Confira a repercussão na mídia:

Em São Paulo, 58% esperam mais de 6 meses por creche (DCI)

76% acreditam que aumentou o número de crianças e adolescentes pedindo dinheiro na rua, diz pesquisa (G1 + SPTV))

SP: 82% dizem que cresceu número de crianças e jovens usando drogas (AGÊNCIA BRASIL)

8 em cada 10 dizem que cresceu nº de crianças usando álcool e drogas em SP (ESTADÃO)

Situação dos parquinhos públicos de São Paulo é ruim (METRO JORNAL)

Paulistas dizem que cresceu número de crianças usando álcool e drogas (R7)

Lotação do transporte é dificuldade para quem anda com crianças em SP (DESTAK)

Oito em cada 10 dizem que cresceu número de crianças usando álcool e drogas em SP (ISTOÉ DINHEIRO)