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A gestão da água em Israel, exemplo para o Brasil

Israel é um país desprovido de recursos naturais, incluindo a água. Com um território em sua maioria desértico, utiliza a tecnologia, o empreendedorismo e a inovação para vencer as adversidades naturais e garantir o abastecimento de água potável à sua população e desenvolver a agricultura. O sul do país é desértico e o norte, a parte mais úmida, corresponde ao semiárido brasileiro. Mas o solo desértico ou semiárido não é impedimento para que os israelenses desenvolvam a agricultura para abastecer o mercado interno e para a exportação.

A escassez de água não é uma crise temporária, mas a realidade do país. Isto tem sido um desafio que, ao longo dos anos, vem sendo superado através da aliança entre investimentos para a descoberta de novas tecnologias, o empreendedorismo e a cultura da população. Hoje, 40% da água consumida em Israel é extraída do mar, através do processo de dessalinização. Esta tecnologia tem avançando significativamente e tem como meta, até 2050, atingir o patamar de 75% de água potável de origem marítima. Recentemente, o projeto foi apresentado às empresas brasileiras de saneamento, em São Paulo, durante um evento que teve como objetivo mostrar o exemplo israelense nos processos de captação e tratamento de água.

Atualmente, Israel é destaque mundial na gestão de tratamento e de reciclagem de água, pois aproximadamente 72% da água no país é reutilizada, sendo que a coleta para a reutilização é captada de esgotos e serve para irrigar as plantações através de gotejamento, uma inovação tecnológica criada porIsrael no anos de 1960. A capacidade israelense para reutilizar água corresponde à maior taxa de reaproveitamento hídrico do mundo, acompanhada pela Espanha com 12%.

A questão hídrica é prioridade em Israel que, em 1959, aprovou a Lei da Água para assegurar o abastecimento à população. A partir dessa lei, segundo o Cônsul de Israel em São Paulo para os Assuntos Econômicos, Boaz Albaranes, definiu-se “que se um proprietário possui terra e um rio passa por ali, a água pertence ao Estado. É ilegal fazer poços artesianos, por exemplo. E cabe ao governo definir o preço da água…”. Ainda de acordo com o Cônsul, “em Israel 100% da água é monitorada, a tecnologia ajuda muito a ver onde tem vazamento. E, por lei, os medidores de consumo têm que ser trocados a cada cinco anos, para garantir que estão sempre bem calibrados”.

Para além das várias medidas adotadas pelo Governo, Israel conta com um trabalho de fundo que compreende investimentos prioritários em pesquisa e inovação e, também, de conscientização permanente da população, que envolve os adultos e as crianças. Dentre todas as soluções apresentadas por Israelem São Paulo para resolver o problema da escassez de água, e que são referências mundiais, destacam-se a reciclagem e a dessalinização. No Brasil, a utilização destas técnicas é insignificante e, segundo especialistas brasileiros, o alto custo de implantação dessas tecnologias é o responsável pela não utilização.

O Brasil passa por uma crise hídrica, principalmente nas regiões sudeste e nordeste do país. As tecnologias poderão ser um recurso indispensável para garantir o abastecimento de água potável à população e, para isto, poderá tomar como exemplo Israel que, através da tecnologia de ponta nesta área, tem superado a carência de água, em condições bastante desfavoráveis se comparado com o Brasil, que tem um clima e índices pluviométricos favoráveis na maior parte do território nacional, possui o Aquífero Guarani, que é a maior reserva subterrânea de água doce, e a maior bacia hidrográfica do planeta, a Bacia Amazônica.

Matéria originalmente publicada no portal Ceiri Newspaper