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Inicialmente criticadas, medidas na área de mobilidade são aprovadas por paulistanos

Pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” revela apoio consolidado a diversas iniciativas, como ampliação de corredores e faixas de ônibus e construção de ciclovias e ciclofaixas

Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo 

Várias medidas na área de mobilidade urbana iniciadas na gestão passada, e que na época foram classificadas como polêmicas e criticadas por parte da mídia, têm agora um apoio consolidado entre a maioria dos paulistanos. A avaliação é de Clarisse Linke, diretora executiva do ITDP – Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento, ao analisar os resultados da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” divulgados nesta terça-feira (18/9).

De acordo com o levantamento, 84% dos moradores da capital paulista se dizem favoráveis à construção e ampliação de corredores e faixas exclusivas de ônibus. Somente 10% são contra e 5% não sabem ou não responderam.

A construção e ampliação de ciclovias e ciclofaixas têm o apoio de 78% dos pesquisados, sete pontos percentuais acima do verificado na pesquisa do ano passado. Atualmente, apenas 16% se posicionam contra essa medida. 

Outra iniciativa bastante criticada quando foi colocada em prática, a abertura de ruas e avenidas, como a Paulista, exclusivamente para pedestres e ciclistas, hoje, é aprovada por 76% da população. O índice de reprovação também neste caso é de 16%. 

Pela primeira vez foi incluída na pesquisa uma pergunta sobre a redução das velocidades praticadas nas ruas e avenidas da cidade – nos levantamentos anteriores a questão focava apenas nas marginais Tietê e Pinheiros. Resultado: 51% dos pesquisados se dizem favoráveis à medida, enquanto 37% são contra e 12% não sabem ou não responderam.

“Existe uma aprovação, de modo geral, em torno dessas medidas que foram tão combatidas por parte da mídia”, considerou Clarisse, antes de complementar: “Isso é muito simbólico e importante”.

As afirmações da diretora executiva do ITDP – Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento foram feitas durante o debate que se seguiu à apresentação dos resultados da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade”.

A divulgação dos dados do levantamento e o debate, ocorridos em evento público promovido pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo, contou com a participação de diversos especialistas na área de mobilidade urbana. 

“Os dados são fundamentais para a tomada de decisões sobre políticas públicas”, afirmou o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, na abertura da atividade, que teve como palco o Sesc 24 de Maio, na região central da cidade.

“Nossa esperança, no fundo, é fazer avançar a democracia e reduzir as desigualdades nas cidades brasileiras”, argumentou Abrahão. 

Segundo Patrícia Pavanelli, diretora de políticas públicas do Ibope Inteligência, um dos “aprendizados” da pesquisa é que, ainda que se mantenha como opção de transporte da maioria dos paulistanos, o transporte público de São Paulo parece estar sendo enfraquecido, sobretudo pela percepção de perda de qualidade da estrutura dos ônibus municipais. “Isso abre espaço para as alternativas individuais, como o carro de passeio e o transporte particular, como o táxi e por meio de aplicativos”, avaliou. 

Confira aqui a apresentação da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade”, feita por Patrícia Pavanelli. 

Veja também a pesquisa completa

Cleo Manhas, do Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC e do Movimento Nossa Brasília, destacou que a política de mobilidade deve ser pensada de uma maneira intersetorial.  “Afinal, ela [a mobilidade] aborda elementos de saúde, gênero, segurança pública e planejamento urbano.”

Ela explicou rapidamente o projeto MobCidades, que envolve 10 municípios brasileiros, incluindo São Paulo. 

Na capital paulista, o MobCidades apoia a realização da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade”, entre outras ações. 

Outro participante do debate sobre os resultados do levantamento, Carlos Aranha, do Grupo de Trabalho Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo, lembrou que o país tem ótimas leis que disciplinam o tema. “Dê uma olhada no Código Nacional de Trânsito, que é de 1997”, exemplificou. 

Segundo ele, o problema é que as leis não são colocadas em prática. “O Brasil no papel está lindo, o que precisamos é que isso venha para as nossas vidas, para a nossa realidade”, ironizou ele.

Jô Pereira, da Ciclocidade – Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo, relatou que a organização em que atua está realizando uma “auditória cidadã”, para mapear a situação da malha cicloviária da cidade até o final de setembro. Cerca de 50 ciclistas estão fazendo o levantamento, verificando a falta de conexões, os problemas de manutenção e outras questões. 

“Vamos ter um dossiê sobre a situação da malha cicloviária da cidade para apresentar ao poder público”, antecipou ela. 

Na segunda parte do evento, que foi mediado por Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, os debatedores responderam perguntas e comentaram posicionamentos dos participantes.  

Foi quando Oded Grajew, conselheiro da Rede Nossa São Paulo, lembrou que o primeiro objetivo das melhores cidades do mundo é fazer com que as pessoas não precisem utilizar ônibus, metrô ou carros particulares. “O que se busca é que as pessoas tenham a, no máximo, 300 metros de sua casa todos os serviços e equipamentos necessários para o seu dia a dia”, explicou.  

Intervenção cultural 

Durante o evento, o grupo Islã do Grajaú declamou poesias relacionadas ao transporte público na periferia da cidade, sendo bastante aplaudido pelos participantes. 

Leia também: 

Pesquisa indica piora na qualidade do transporte por ônibus em São Paulo 

Análise da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” 

Confira a repercussão na mídia:

Superlotação é a principal reclamação entre passageiros de ônibus (TV Record) 

Sete em cada dez paulistanos se informam sobre a qualidade do ar (R7) 

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito, mas ainda gasta 2h43 (ESTADÃO)

Paulistano demora quase 3 horas por dia no trânsito, e 88% dos pedestres se sentem inseguros, diz pesquisa (G1 NOTÍCIAS)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito, mas ainda gasta 2h43 (TERRA)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito em 2018 (BRASIL AO MINUTO)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito em 2018, diz pesquisa (METRO)

Paulistano perde 2h43 por dia no trânsito e vê ineficácia no combate a assédios (IG)

Mobilidade Urbana: Paulistanos gastam quase 3 horas diariamente para se deslocar (ECO DEBATE)

44% dos paulistanos dizem ter sofrido problemas de saúde por causa da poluição e tempo no trânsito cai um pouco, mas ainda é alto (DIÁRIO DO TRANSPORTE)

Moradores gastam 2h05 no trânsito e são os que mais usam ônibus (SP NORTE)

Paulistanos gastam quase 3 horas diariamente para se deslocar (BOL)

Paulistano demora quase 3 horas por dia no trânsito, e 88% dos pedestres se sentem inseguros, diz pesquisa (PORTAL G1NEWS)

Insatisfação de paulistano com serviço de ônibus piora em 2018 (DESTAK)

Uma cidade (quase) sem carros! (A VIDA QUER)

Paulistanos gastam quase 3 horas diariamente para se deslocar (AGÊNCIA BRASIL)

73% dos paulistanos trocariam carro por transporte público melhor (R7)

Paulistano gasta quase 3h para se deslocar em SP, aponta pesquisa (VIA TROLEBUS)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito em 2018, aponta pesquisa (ISTOÉ DINHEIRO)

Paulistano leva 28 minutos em média de casa até entrar no ônibus (R7)