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Pesquisa indica piora na qualidade do transporte por ônibus em São Paulo

Cresce, de 31% para 37%, o percentual de paulistanos que apontam o excesso de lotação como principal motivo para não usar com mais frequência esse meio de transporte coletivo.

Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo

Os resultados da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” indicam que na percepção dos paulistanos houve uma piora na qualidade do transporte por ônibus em São Paulo, se comparado com o levantamento do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (18/9), em evento público promovido pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo.   

De acordo com a pesquisa, o percentual de pessoas que apontam o fato de os ônibus serem muito cheios como o principal motivo para não utilizarem esse tipo de transporte público com mais frequência subiu de 31% para 37% no período. Em segundo lugar, com 32%, aparece a alternativa “utiliza o carro”.  Em 2017, era 30%. 

Entre as razões principais assinaladas pelos paulistanos para não optarem pelo uso dos ônibus em seus deslocamentos diários pela cidade também aumentou, de 24% para 31%, o índice dos que consideram o trajeto desse modal de transporte muito demorado.

Já a alternativa “o ônibus demora muito para passar” recebeu 23% das menções. No ano anterior, o índice estava em 18%. 

Segundo a Rede Nossa São Paulo e o Ibope Inteligência, nesse item do levantamento as pessoas puderam assinalar mais de uma alternativa.

Na avaliação das pessoas que utilizam o ônibus diariamente, o principal problema a ser resolvido pela Prefeitura é o mesmo apontado por aqueles que usam esse tipo de transporte público com menos frequência, ou seja, o excesso de lotação. A alternativa recebeu 25% das respostas na pesquisa atual, contra 23% no ano passado.

A segunda prioridade assinalada pelos usuários, com 20% (o mesmo índice do levantamento anterior), é o preço da tarifa. 

Realizada com o apoio do projeto MobCidades, a pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” revela ainda que o tempo médio de espera no ponto de ônibus é de 18 minutos.

A piora na avaliação da qualidade do serviço prestado pelos ônibus, segundo o levantamento, está em linha com a tendência de queda na predisposição dos usuários frequentes de carro em deixar de usá-lo. Questionados se deixaram de utilizar o automóvel, caso houvesse uma boa alternativa de transporte público, 41% responderam “com certeza”. O índice representa uma queda de 10% em relação à pesquisa do ano anterior, quando ficou em 51%, voltando ao mesmo patamar de 2016.   

Mesmo com queda nas menções, o ônibus ainda é o meio de transporte utilizado com mais frequência pelos paulistanos: o índice caiu de 47% para 43%, em relação ao levantamento realizado em 2017.    

Ciclovias e ciclofaixas  

A pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” mostra que os paulistanos avaliam de forma negativa a manutenção das ciclovias existentes em São Paulo: 48% dos entrevistados a consideram “ruim ou péssima”, 34% dizem que é “regular” e 11% afirmam que é “boa ou ótima”. O percentual de quem não sabe ou não respondeu é de 7%.

Confirmando a boa aceitação desse modal de locomoção junto à maioria população, o levantamento revela que 78% dos paulistanos se dizem favoráveis à construção e ampliação das ciclovias e ciclofaixas. O índice é 7 pontos percentuais maior do que o estudo de 2017, quando registrou 71%. 

Entretanto, o receio de furtos e roubos figura como principal causa para desestimulo ao uso das ciclovias e ciclofaixas, com 22% das menções. O desrespeito dos motoristas e motociclistas vem logo a seguir, sendo assinalado em 16% das respostas. O terceiro motivo que afeta a vontade de usar esse modal, apontado por 10% dos entrevistados, são os buracos e irregularidades no solo.   

Para os que nunca utilizam bicicletas para se locomover, entre os principais estímulos para passar a usá-las seriam “mais segurança para os ciclistas”, com 30% das menções, e “construir mais ciclovias para interligar as diferentes regiões da cidade”, que é assinalado por 18% dos pesquisados.

A sensação de insegurança entre os paulistanos pode ser constatada em outro dado do estudo, pois 88% dos pedestres se sentem “pouco seguro” (45%) ou “nada seguro” (43%), quando circulam pela cidade. Apenas 11% se dizem “muito seguro” (1%) ou “seguro” (10%).

Outros resultados 

Por outro lado, o levantamento revela uma leve melhora no tempo médio diário gasto pelo paulistano no deslocamento para realizar a sua atividade principal. O índice, que era de 2h00 em 2017, oscilou para 1h57 neste ano.

Os moradores das zonas Norte e Sul da capital paulista são os que levam mais tempo para realizar esses deslocamentos, registrando 2h05 nas duas regiões.

A melhora também é percebida pelos paulistanos em relação ao tempo médio gasto em todos os seus deslocamentos diário. O índice segue caindo desde 2016, quando registrou 2h58. No ano passado, o tempo gasto ficou em 2h53 e, agora, atinge 2h43. Porém, o melhor indicador continua sendo o verificado em 2015, com 2h38. 

Assim como no deslocamento principal, os moradores das regiões Norte e Sul são os que gastam mais tempo em todos os deslocamentos: 2h49 e 2h56, respectivamente.

Outro dado interessante do levantamento é que sete em cada dez paulistanos (70%) desconhecem que o acesso ao transporte público é um direito social, garantido pela Constituição Federal desde 2015. Entre os entrevistados, apenas 26% tinham conhecimento desse direito social e 3% não souberam ou não responderam.

Sobre o levantamento 

Foram entrevistados 800 moradores da cidade de São Paulo de 16 anos ou mais, durante o período de 15 de agosto a 3 de setembro de 2018. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais.

Confira aqui a apresentação da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade”

Veja também a pesquisa completa.  

Série “Viver em São Paulo”

Os resultados do levantamento foram apresentados e debatidos por especialistas da área de Mobilidade Urbana, em evento público realizado no Sesc 24 de Maio, situado na região central de São Paulo. 

A pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” integra a série “Viver em São Paulo”, que foi iniciada este ano e mensalmente tem divulgado dados sobre a percepção dos paulistanos em relação a temas importantes que afetam a vida na capital paulista.

Os levantamentos da série e os eventos mensais, que incluem divulgação dos resultados, debates e intervenções culturais sobre cada tema pesquisado, são promovidos pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo.

Leia também: 

Inicialmente criticadas, medidas na área de mobilidade são aprovadas por paulistanos

Análise da pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade” 

Confira a repercussão na mídia:

Superlotação é a principal reclamação entre passageiros de ônibus (TV Record) 

Sete em cada dez paulistanos se informam sobre a qualidade do ar (R7) 

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito, mas ainda gasta 2h43 (ESTADÃO)

Paulistano demora quase 3 horas por dia no trânsito, e 88% dos pedestres se sentem inseguros, diz pesquisa (G1 NOTÍCIAS)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito, mas ainda gasta 2h43 (TERRA)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito em 2018 (BRASIL AO MINUTO)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito em 2018, diz pesquisa (METRO)

Paulistano perde 2h43 por dia no trânsito e vê ineficácia no combate a assédios (IG)

Mobilidade Urbana: Paulistanos gastam quase 3 horas diariamente para se deslocar (ECO DEBATE)

44% dos paulistanos dizem ter sofrido problemas de saúde por causa da poluição e tempo no trânsito cai um pouco, mas ainda é alto (DIÁRIO DO TRANSPORTE)

Moradores gastam 2h05 no trânsito e são os que mais usam ônibus (SP NORTE)

Paulistanos gastam quase 3 horas diariamente para se deslocar (BOL)

Paulistano demora quase 3 horas por dia no trânsito, e 88% dos pedestres se sentem inseguros, diz pesquisa (PORTAL G1NEWS)

Insatisfação de paulistano com serviço de ônibus piora em 2018 (DESTAK)

Uma cidade (quase) sem carros! (A VIDA QUER)

Paulistanos gastam quase 3 horas diariamente para se deslocar (AGÊNCIA BRASIL)

73% dos paulistanos trocariam carro por transporte público melhor (R7)

Paulistano gasta quase 3h para se deslocar em SP, aponta pesquisa (VIA TROLEBUS)

Paulistano passa 10 minutos a menos no trânsito em 2018, aponta pesquisa (ISTOÉ DINHEIRO)

Paulistano leva 28 minutos em média de casa até entrar no ônibus (R7)